E se o mundo for acabar?

Você já cogitou a possibilidade de estar errado? Tudo errado? Eu, você, a ciência, a religião, todos os livros, tv, tudo?

E se a religião do outro for a certa e a sua um engano? (afinal são tantas, com tantas subdivisões e como já disse um filósofo – que não lembro o nome: “seita é a religião do outro”). E se você for ateu e Deus realmente existir? E se aquele teu amigo ateu estiver certo e só a ciência estiver correta? E se o método científico estiver errado e tudo o que a ciência sabe for um equívoco? E se os maias estiverem certos e o mundo for mesmo acabar no dia 21 de dezembro de 2012? Permita-se o benefício da dúvida.

Se tem uma coisa que eu tenho certeza (pelo menos por enquanto :)) é que não dá pra acreditar em nada, não dá pra confiar em ninguém, nem em nós mesmos, aliás, principalmente em nós mesmos, na nossa própria mente, sem analisar, sem testar, sem questionar. Afinal quem nunca se enganou? Quem nunca fez juras de amor eterno e depois não queria ver nem uma estátua de ouro da outra pessoa? Quem nunca teve certeza de qualquer coisa (trabalho, local de moradia, estudos, argumentos, números da mega sena, etc) e tudo o que conseguiu foi quebrar a cara? Quem nunca se enganou, equivocou, confundiu?

Um grande amigo escreveu que “nenhuma verdade é absoluta, mas toda mentira é” (ou algo parecido). Ainda não entendi bem isso, é difícil acreditar que nenhuma verdade nunca vai ser absoluta, mas gostei da frase, pois nos faz questionar sempre. Vai ao encontro do que escreveu Thich Nhat Hanh “todo ponto de vista é falho, pois é apenas UM ponto de vista”.

No meio de tantas perguntas tem uma que está na moda: O mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012? Quando o mundo vai acabar? Já tem muita gente escrevendo sobre, uns juram que sim, outros que não, outros dão data, hora e local. Eu não vou entrar nessa discussão porque não tem como provar, é só esperar pra ver.

Mas e se tivéssemos certeza que iria acabar, que diferença isso faz? O que você iria fazer, ou deixar de fazer?

Considere esta hipótese: o mundo vai acabar daqui 2 dias, o que você vai fazer? Pense nisso por um minuto antes de seguir para o próximo parágrafo.

E se você tivesse certeza que vai morrer, que diferença isso faz? Ou você acha que é imortal? Ainda não descobriram uma “vacina” anti-morte, então você vai morrer, pode não ser no dia 21 de dezembro (espero que não), mas você e todos que você conhece um dia vão morrer. E o que você faz a respeito disso?

No filme Melancolia um planeta (ou asteroide, não lembro) está em rota de colisão com a Terra, e as pessoas continuam com suas vidas mesquinhas, brigando por bobagens, tentando tirar vantagem uns dos outros, o que é um absurdo sabendo que todo mundo provavelmente vai morrer dali alguns dias (não vou contar o final do filme).

Que diferença faz saber a data? Todos vamos morrer um dia. Então pra quê brigar por bobagens, se esquentar por mesquinharias? Pra que ter atitudes que você vai se arrepender? A paz não é um objetivo, a paz é o caminho e não existe linha de chegada.

O mundo pode não acabar dia 21 de dezembro, mas um dia o teu mundo vai acabar, só não sabemos quando.

Termino com uma frase atribuída a Milarepa: “minha religião é viver e morrer sem arrependimentos”.

Um ótimo fim do mundo para todos que vão morrer.

 

PS. E se não acabar e não morrermos até lá, um bom Natal e um ótimo 2013.

PS 2. Só revisei uma vez, então o texto pode estar totalmente errado, ou não.

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Não existe linha de chegada

Lembre de alguma conquista sua: um emprego, o último gadget, aquela pessoa que você finalmente conseguiu ficar. Enfim, qualquer coisa.

Quanto tempo durou aquela sensação boa?

Quanto tempo o maravilhoso emprego novo demorou pra virar um trabalho chato e maçante? O seu smartphone já não é tão smart? Aquela pessoa linda não era tudo aquilo?

Lamento te dar esta notícia, mas tudo, absolutamente tudo tem prazo de validade. Seus bens, suas conquistas, suas emoções (boas e ruins), seu bicho de estimação e até você mesmo.

Assustador, não? Definitivamente NÃO! Bem, talvez no começo, mas depois depende de como você lida com a situação.

Suponhamos que você resolva começa a correr. Algum tempo treinando e vai conseguir um corpo legal, uma resistência bacana, mas vai chegar um momento que isso não vai te motivar mais, então você define uma nova meta. Como 5 Km em menos de 30 minutos, quando conseguir, vai ser ótimo, mas depois de um tempo vai precisar de algo mais desafiador. 10 km? Que tal uma corrida oficial? Mais algum tempo, algumas boas colocações, umas medalhas e é só questão de tempo até isso não bastar mais. Você vai melhorar o tempo, aumentar a distância, mas essas satisfações também não duram pra sempre.

Queremos sempre mais, mas nunca é suficiente.

Mas então, o que a fazer? A grande maioria das pessoas vão seguir na insaciável busca por estímulos: novas metas ou mudar de esporte ou um novo hobby ou vício ou seja lá o que for. Mas também não resolve. É uma busca infinita. E pior, quando nos entediamos com algo, até nos empolgarmos com outra coisa, ficamos deprimidos. Abandonar a busca por estímulos, sem se preparar pra isso, também não resolve.

Imagine que você está em um avião para uma longa viagem. Logo que decola é legal, a paisagem é bacana, depois de algumas horas vira um tédio. E você não pode fazer nada! Não pode pular do avião, não tem como desistir. A única alternativa que resta é aproveitar a viagem.

Você já ouviu isso antes.Várias vezes. Existem muitas histórias com esse tema. Lembro de uma fábula de uma corrida com um coelho e algum outro animal, o coelho chega em primeiro, mas perdeu tudo, não viu nada no caminho: as belas paisagens, locais de descanso, de alimentação, outros animais. Com certeza você já viu as frases: enjoy the ride, viva o presente, aproveite o momento, carpe diem, etc. Mas isso, essa lição, e este texto que você lê agora, também tem prazo de validade. Você vai ler isso e daqui um tempo vai esquecer também. E é provável que eu também esqueça o que escrevi. Então voltaremos na insaciável, e inconsequente, busca por estímulos.


Percorreu uma estrada longa para encontrar o que não estava aqui.

Agora pense que você está numa corrida, todos os corredores estão enlouquecidos, esbaforidos. Todo mundo dando o seu melhor. Depois de muito tempo correndo você pensa na possibilidade de não existir linha de chegada. E assim como o prazo de validade, a não existência da linha de chegada também vale pra tudo: inteligência, alguma habilidade (música, mecânica, culinária) boa forma, bem estar, felicidade, sabedoria, gentileza, bondade, etc.

A vida é um treino, você tem que treinar sempre. Se parar perde a prática, seja lá no que for. Pode se formar na melhor universidade, mas se não continuar estudando vai ficar pra trás.

Insisto: 1. Tudo tem prazo de validade; 2. Não existe linha de chegada.

Num primeiro momento isso tudo pode parecer muito assustador. Mas quando você começa a assimilar, o que era assustador passa a ser libertador. Não adianta seguir um caminho para alcançar alguma meta, a meta é seguir o caminho.

Por isso mirar em um objetivo-fim como a solução dos problemas pode ser um grande erro. Numa outra analogia, bem real, é pelo mesmo motivo que a maioria das dietas não funcionam, elas miram um objetivo: emagrecer “tantos” quilos. Mas isso também tem prazo de validade. Se você não mudar definitivamente seus hábitos alimentares e atividades físicas, lamento informar, mas você vai voltar a engordar.
Precisamos praticar sempre!

Quer ficar em forma: faça exercícios sempre. Quer se manter inteligente: leia sempre. Quer dominar um segundo idioma: pratique sempre. Quer continuar sem esquecer que tudo tem prazo de validade, que nunca estamos satisfeitos e que não existe linha de chegada, leia outros textos do mesmo tema sempre.

O significado da vida é dar a vida significado

Agora que você quase entendeu o ponto, tenho uma outra notícia: na verdade não são as coisas que tem prazo de validade, são as suas emoções. Mas isso é outro assunto, esse texto já está longo demais e preciso ir praticar um pouco.

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PS. Queria melhorar este texto, mas ele ficaria muito longo, como é o primeiro do blog, vários assuntos tratados aqui superficialmente serão esmiuçados no futuro. 

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